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18 de novembro de 2010

O meu Olhar Azul como o Céu

O Meu Olhar Azul como o Céu




O meu olhar azul como o céu

É calmo como a água ao sol.

É assim, azul e calmo,

Porque não interroga nem se espanta ...

Se eu interrogasse e me espantasse

Não nasciam flores novas nos prados

Nem mudaria qualquer cousa no sol de modo a ele ficar mais belo...

(Mesmo se nascessem flores novas no prado

E se o sol mudasse para mais belo,

Eu sentiria menos flores no prado

E achava mais feio o sol ...

Porque tudo é como é e assim é que é,

E eu aceito, e nem agradeço,

Para não parecer que penso nisso...)



Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXIII"

Heterónimo de Fernando Pessoa

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