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27 de dezembro de 2011

AMIGOS



"Existem pessoas em nossas vidas que nos deixam felizes pelo simples facto de terem cruzado o nosso caminho.
Algumas percorrem ao nosso lado, vendo muitas luas passarem, mas outras apenas vemos entre um passo e outro.
A todas elas chamamos de amigo. Há muitos tipos de amigos. Talvez cada folha de uma arvore caracterize um irmão, com quem dividimos o nosso espaço para que ele floresça como nós. Passamos a conhecer toda a família de folhas, a qual respeitamos e desejamos o bem.
Mas o destino nos apresenta outros amigos, os quais não sabíamos que iam cruzar o nosso caminho. Muitos desses denominamos amigos do peito, do coração. São sinceros, são verdadeiros. Sabem quando não estamos bem, sabem o que nos faz feliz...
Às vezes, um desses amigos do peito estala o nosso coração e então é chamado de amigo namorado. Esse dá brilho aos nossos olhos, música aos nossos lábios, pulos aos nossos pés.
Mas também há aqueles amigos por um tempo, talvez umas férias ou mesmo um dia ou uma hora. Esses costumam colocar muitos sorrisos na nossa face, durante o tempo que estamos por perto.
Falando em perto, não podemos esquecer dos amigos distantes. Aqueles que ficam nas pontas dos galhos, mas que quando o vento sopra, sempre aparecem novamente entre uma folha e outra.
O tempo passa, o verão se vai, o outono se aproxima, e perdemos algumas de nossas folhas.
Algumas nascem num outro verão e outras permanecem por muitas estações .
Mas o que nos deixa mais feliz é que as que caíram continuam por perto, continuam alimentado a nossa raiz com alegria. Lembranças de momentos maravilhosos enquanto cruzavam com o nosso caminho.
Desejo a você, folha da minha arvore, Paz, Amor, Saúde, Sucesso, Prosperidade...
Hoje e Sempre...simplesmente porque: Cada pessoa que passa em nossa vida é Única.
Sempre deixa um pouco de si e leva um pouco de nós.
Há os que levaram muito, mas não há os que não deixaram nada.
Esta é a maior responsabilidade de nossa vida e a prova evidente de que duas almas não se encontram por "acaso".

Autor desconhecido

29 de novembro de 2011

Abraça-me




 Abraça-me. Quero ouvir o vento que vem da tua pele, e ver o sol nascer do intenso calor dos nossos corpos. Quando me perfumo assim, em ti, nada existe a não ser este relâmpago feliz, esta maçã azul que foi colhida na palidez de todos os caminhos, e que ambos mordemos para provar o sabor que tem a carne incandescente das estrelas. Abraça-me. Veste o meu corpo de ti, para que em ti eu possa buscar o sentido dos sentidos, o sentido da vida. Procura-me com os teus antigos braços de criança, para desamarrar em mim a eternidade, essa soma formidável de todos os momentos livres que a um e a outro pertenceram. Abraça-me. Quero morrer de ti em mim, espantado de amor. Dá-me a beber, antes, a água dos teus beijos, para que possa levá-la comigo e oferecê-la aos astros pequeninos.



Só essa água fará reconhecer o mais profundo, o mais intenso amor do universo, e eu quero que delem fiquem a saber até as estrelas mais antigas e brilhantes.


Abraça-me. Uma vez só. Uma vez mais.


Uma vez que nem sei se tu existes.






Joaquim Pessoa, in 'Ano Comum'

23 de novembro de 2011




 "ARRUMADINHO"



Sexo e amizade 



Bom, agora é então a minha vez de dizer qualquer coisa sobre o assunto.

Acho que há uma série de variantes quanto a este tema;



Começando pela relação entre os tais "amigos" que numa noite se enrolam e depois voltam à rotina de sempre:

Sinceramente, não acho que depois de uma relação sexual a amizade possa voltar a ser exactamente como era. Podem continuar a ser amigos, podem continuar a gostar de estar juntos, podem continuar a sair como dantes, mas haverá sempre uma tensão, ainda que ligeira, haverá sempre o expecto de que algo poderá voltar a acontecer, haverá sempre na cabeça de um e do outro a dúvida sobre que expectativa é que o outro alimenta quando estão juntos. Isso passará com o tempo, mas se a relação continuar a ser de grande proximidade é normal que paire sempre um grãozinho de incerteza.



Depois há um segundo caso, que é o dos amigos que se enrolam várias vezes:

Aqui, acho que deixam de ser apenas amigos. Os amigos não vão para a cama uns com os outros (e escusam de vir com aquela coisa do "ah, a pessoa com quem durmo é o meu melhor amigo - sim, sim, eu sei, mas não é disso que estamos a falar). Os amantes vão. Os namorados vão. Os casais vão. Os amigos não. E se vão, e se o fazem frequentemente, então, não são só amigos. E quando a relação atinge outro patamar, para lá da amizade, é preciso saber lidar com as consequências disso. E essas consequências são uma incógnita, porque as variáveis são imensas, e estão relacionadas com a cabeça de cada um. Há gente que pura e simplesmente não consegue estar ao pé de alguém com quem já teve sexo, e há outras pessoas que adoram estar ao pé de pessoas com quem foram para a cama, nem que seja pelo sentimento de dominação (isto é comum nos homens). E o que é isto? É aquela coisa do "eu já te fiz isto", "tu já me fizeste isto", ideias que passam pela cabeça de muitos homens quando estão com mulheres com quem já se envolveram. Pode parecer uma coisa um bocadinho infantil - e é - mas, pelo que sei, é muito comum, principalmente nos homens.

 
Os ex-namorados, ex-casos:

Acho que uma amizade com um ex-caso ou ex-namorado é mais fácil de manter quando continuamos solteiros. A amizade e o passado estão circunscritos aos dois, por isso, pode haver saídas, conversas, telefonemas, SMS, cinemas, gargalhadas, copos, que ninguém tem nada a ver com isso, que ninguém tem de se incomodar com isso. Mas quando surge uma terceira pessoa na vida de um dos dois as coisas mudam necessariamente de figura. E até acho que devem mudar, por uma questão de respeito. Conheço para aí três pessoas que não se importam nada que as suas namoradas ou namorados falem à vontade ou conversem ou saiam com ex. Quase ninguém aceita isso de braços abertos. E mesmo que diga que não há problema algum, há sempre ali qualquer coisa a chatear. Por isso, quando um dos amigos que se enrolaram encontra outra pessoa é normal e natural que a tal relação de amizade se altere e se torne mais afastada e menos presente.


Os ex que têm de estar presentes:

Alguns dos comentários falam da necessária relação entre ex-companheiros, quando há filhos em comum. Aí, é bom que haja mesmo a convivência mínima necessária que garanta a felicidade da criança. Uma vez mais, não acho que tenham de ser melhores amigos, que passem a vida em almoços ou jantares comuns, porque sei que isso pode constituir um constrangimento para os eventuais novos parceiros de cada um. Mas uma relação normal e saudável é imprescindível.
Como várias pessoas disseram, acho sobretudo que é uma questão de bom-senso e maturidade. Não só das pessoas, como das relações. O que nos parece insuportável e impensável numa relação com seis meses acaba por perder esse peso ao fim de uns anos. A confiança, a estabilidade, o amor fazem com que algumas inseguranças pareçam um bocadinho menos importantes.




Publicada por: O Arrumadinho
28 de Setembro de 2011

7 de novembro de 2011

O TEU RETRATO





O TEU RETRATO

 
Deus fez a noite com o teu olhar,


Deus fez as ondas com os teus cabelos;


Com a tua coragem fez castelos


Que pôs, como defesa, à beira-mar.


Com um sorriso teu, fez o luar


(Que é sorriso de noite, ao viandante)


E eu que andava pelo mundo, errante,


Já não ando perdido em alto-mar!


Do céu de Portugal fez a tua alma!


E ao ver-te sempre assim, tão pura e calma,


Da minha Noite, eu fiz a Claridade!


Ó meu anjo de luz e de esperança,


Será em ti afinal que descansa


O triste fim da minha mocidade!


António Nobre (1867-1900)

3 de agosto de 2011

Cântico Negro



Cântico Negro

"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces

Estendendo-me os braços, e seguros

De que seria bom que eu os ouvisse

Quando me dizem: "vem por aqui!"

Eu olho-os com olhos lassos,

(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)

E cruzo os braços,

E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:

Criar desumanidades!

Não acompanhar ninguém.

— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade

Com que rasguei o ventre à minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde

Me levam meus próprios passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde

Por que me repetis: "vem por aqui!"?





Prefiro escorregar nos becos lamacentos,

Redemoinhar aos ventos,

Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,

A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi

Só para desflorar florestas virgens,

E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!

O mais que faço não vale nada.





Como, pois, sereis vós

Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem

Para eu derrubar os meus obstáculos?...

Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,

E vós amais o que é fácil!

Eu amo o Longe e a Miragem,

Amo os abismos, as torrentes, os desertos...





Ide! Tendes estradas,

Tendes jardins, tendes canteiros,

Tendes pátria, tendes tetos,

E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...

Eu tenho a minha Loucura !

Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,

E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!

Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;

Mas eu, que nunca principio nem acabo,

Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.





Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,

Ninguém me peça definições!

Ninguém me diga: "vem por aqui"!

A minha vida é um vendaval que se soltou,

É uma onda que se alevantou,

É um átomo a mais que se animou...

Não sei por onde vou,

Não sei para onde vou

Sei que não vou por aí!





(José Régio)

31 de julho de 2011

PERMITE-ME

Permite-me


Abre as portas do teu mundo


Permite a minha entrada...


Dá-me aquele sorriso profundo


E abraça-me à chegada...


Permite-me amar-te sem medo,


Bailar no amor serenamente


Só tu e eu, o nosso segredo...


Sonhar,voar livremente!


Deixa minha alma enlaçar a tua!


Adorar-te na melodia do meu verso


Dar vida à imaginação que flutua


Permite-me do teu lado ficar


Ser parte do teu universo...


E no teu coração pra sempre morar!


(Graça Silva)

A Grande Sede









Se tens sede de Paz e d'Esperança,
Se estás cego de Dor e de Pecado,
Valha-te o Amor, ó grande abandonado,
Sacia a sede com amor, descansa.
Ah! volta-te a esta zona fresca e mansa
Do Amor e ficarás desafogado,
Hás de ver tudo claro, iluminado
Da luz que uma alma que tem fé alcança.
O coração que é puro e que é contrito,
Se sabe ter doçura e ter dolência
Revive nas estrelas do Infinito.
Revive, sim, fica imortal, na essência
Dos Anjos paira, não desprende um grito
E fica, como os Anjos, na Existência.




(Cruz e Sousa)

13 de junho de 2011

Um Pouco Mais de Nós




Podes dar uma centelha de lua,
um colar de pétalas breves
ou um farrapo de nuvem;
podes dar mais uma asa
a quem tem sede de voar
ou apenas o tesouro sem preço
do teu tempo em qualquer lugar;
podes dar o que és e o que sentes
sem que te perguntem
nome, sexo ou endereço;
podes dar em suma, com emoção,
tudo aquilo que, em silêncio,
te segreda o coração;
podes dar a rima sem rima
de uma música só tua
a quem sofre a miséria dos dias
na noite sem tecto de uma rua;
podes juntar o diamante da dádiva
ao húmus de uma crença forte e antiga,
sob a forma de poema ou de cantiga;
podes ser o livro, o sonho, o ponteiro
do relógio da vida sem atraso,
e sendo tudo isso serás ainda mais,
anónimo, pleno e livre,
nau sempre aparelhada para deixar o cais,
porque o que conta, vendo bem,
é dar sempre um pouco mais,
sem factura, sem fama, sem horário,
que a máxima recompensa de quem dá
é o júbilo de um gesto voluntário.
E, afinal, tudo isso quanto vale ?
Vale o nada que é tudo
sempre que damos de nós
o que, sendo acto amor, ganha voz
e se torna eterno por ser único e total.


José Jorge Letria